O professor de artes literárias Robert Coover, da Brown University, estará no Rio de Janeiro, no dia 19 de outubro, para discutir os novos gêneros literários produzidos no ambiente digital e para apresentar o CAVE (Cave Automatic Virtual Environment), um espaço de realidade virtual construído em três dimensões, que amplia as possibilidades da escrita pelo uso da tecnologia. O debate será mediado pelo editor da revista eletrônica Errática, André Vallias, e acontecerá às 19h30, dentro da programação do Oi Cabeça. O evento, idealizado pela Aeroplano Projetos, com curadoria das professoras Heloisa Buarque de Hollanda e Cristiane Costa, tem levado todo mês ao Oi Futuro Flamengo estudiosos da cibercultura para discutir os rumos da literatura frente ao crescimento das mídias digitais. A entrada é franca, mediante retirada de senha.
O americano Robert Coover publicou mais de 20 romances e coletâneas de contos e ficou conhecido, nos anos 80, como autor de livros de ficção. Para especialistas em literatura, suas obras impressas já exibiam, naquela época, recursos típicos do hipertexto. Nos anos 1990, Coover foi seduzido pelas possibilidades da escrita no meio digital e desenvolveu, na Brown University (de Rhode Island), o Cave Writing, um projeto de imersão em ambientes virtuais, descrito por ele como “um avançado workshop de escrita eletrônica que amplia as potencialidades do texto, com o uso do som e da narrativa em movimento”.
A obra e-literária Screen (2003), de Wardrip-Fruin, é um bom exemplo das potencialidades do Cave Writing. Criada com a colaboração de Josh Carroll, Shawn Greenlee, Andrew McClain e do próprio Robert Coover, Screen leva o leitor/espectador para o ambiente 3D, onde coloca óculos de realidade virtual e manipula uma luva. No início da performance, ele ouve, na voz de Coover, a leitura do seguinte trecho: “In a world of illusions, we hold ourselves in place by memories” (Em um mundo de ilusões, nós nos seguramos no lugar pelas memórias). Nas três paredes verticais do ambiente virtual, o usuário lê dois textos, um narrado por uma mulher e outro por um homem, que aparecem como letreiros.
Nestes textos, os narradores descrevem memórias que lhes fogem, mesmo quando tentam mantê-las: as palavras escapam, literalmente, dos textos, locomovendo-se pelo espaço tridimensional, unindo-se a outras e formando neologismos, ou termos e fragmentos de textos ininteligíveis. Mesmo com o esforço do usuário para recolocá-las em seus locais de origem, elas movimentam-se caoticamente pelo espaço, até que, ao final, todas as palavras caem pelo chão. (outras infos: http://www.cccb.org/rcs_gene/robert_coover.pdf).
O Cave é um novo campo de conhecimento e produção literária na era da imersão interativa. A palestra de Robert Coover, no dia 19, poderá abrir espaço para a reflexão sobre questões que tem permeado os encontros do Oi Cabeça, desde que o evento teve início, como: Para onde vai a literatura? Estamos assistindo o fim da lógica linear de leitura do livro impresso? A arte de narrar será influenciada pela interatividade dos games e pelo apelo da multimídia? E a crítica, onde se coloca num universo estruturalmente participativo? Essas perguntas alimentam, ainda de forma subliminar, a questão sobre os futuros possíveis da literatura criada a partir da revolução de Gutenberg.
Para a curadora Heloisa Buarque, que divide a curadoria com Cristiane Costa, a história comprova que todas as vezes que uma nova tecnologia surge, ela é sentida como uma ameaça para as mídias culturais anteriores. Foi assim com a pintura quando surgiu a fotografia, com o teatro com o advento do cinema, com o cinema com a popularização da televisão. “Agora, o livro é posto em questão. Decretará a internet o seu fim? Como das outras vezes, o tempo se encarregará de desmentir esta premissa?”, indaga a professora.
SOBRE OS PARTICIPANTES:
ROBERT COOVER – O professor Robert Coover também é escritor de literatura experimental, fundador da ELO, Eletronic Literature Organization e lidera um projeto de criação literária na Brown University, nos Estados Unidos, que incentiva a criação de obras que utilizem as potencialidades oferecidas no processo de Cave Writing. Seu ensaio sobre hipertexto na New York Times Book Review, The End of Books, em 1992, foi um marco no assunto.
ANDRÉ VALLIAS – Poeta, designer gráfico e produtor de mídia interativa, André Vallias se tornou um dos mais destacados designers da web brasileira. Em 2011 publicou “HEINE, HEIN? – Poeta dos Contrários”, a mais abrangente antologia já realizada em português da obra de Heinrich Heine. É editor da revista online Errática: www.erratica.com.br
SERVIÇO OI CABEÇA
Com Robert Coover e André Vallias
19 de outubro, às 19h30
Oi Futuro – Flamengo
Rua Dois de Dezembro, 63.
Tel: (21) 3131-3060
Entrada Franca (senhas distribuídas 30 minutos antes)
Casa sujeita a lotação